Parto: é hora de conhecer o bebê!

Mamães queridas! Chegou a hora de falarmos sobre um dos temas que mais apavoram as gestantes: o parto. A gente sabe que se temos um bebê em nosso ventre, ele logo terá que sair de lá, para transformar nossas vidas para sempre, mas a dúvida é: como?

Muitos são os movimentos que defendem o parto normal, pois o próprio nome já diz, ele seria a forma mais natural de surgimento de uma vida fora do ventre, mas são muitos os medos, as incertezas e as dúvidas em relação a este procedimento. Aliás, dúvida é o que a mãe carregará para sempre em sua vida, esteja certa disto!

Outras muitas pessoas sugerem que a cesárea é a maneira mais tranquila de parto ou pelo menos a mais segura e rápida. No texto de hoje conversamos com a ginecologista obstetra, Dra. Elke Coimbra Gusi, para saber um pouco mais sobre este tema. Logo abaixo, eu conto minha experiência com o dia mágico do parto:

Com a palavra, a médica:

“Existem duas vias de parto: vaginal e cirúrgico (cesariana). Podemos ter no parto vaginal o parto normal, parto normal com manobras (fórceps ou vácuo extrator), e parto natural (quando não tem nenhuma intervenção).

         Não entendo o parto humanizado como um tipo de parto e sim uma forma de se conduzir o parto. Neste caso respeitando a gestante, suas vontade, sempre com o objetivo final de um parto bem sucedido (binômio mãe-filho bem). No meu ponto de vista, seja normal ou cesárea, seja com ou sem intervenções, todo parto deve ser humanizado.

         Estamos vivenciando algumas situações que considero um pouco perigosas. Uma via de parto ideal para uns pode não ser para outros. A partir do momento da concepção, começamos a planejar e vivenciar toda a gravidez e o parto. O desejo da via de parto deve ser respeitada, mas sabemos que o parto normal  pode não ser a melhor opção para uns, ou pode estar indo super bem e de repente pode haver a necessidade de uma intervenção cirúrgica. A maioria das vezes vai muito bem.  Por isso a gestante deve ser preparada no pré-natal para essas possibilidades, para não se frustrarem.

         Os conselhos, as dicas e os desejos vem de todos os lados.  A decisão da via de parto deve ser tomada em conjunto (gestante e o médico que for fazer o procedimento). Não deve ser imposto pelo médico.  Nem imposto pela gestante (que muitas vezes vem com opiniões formadas, sem saber das possíveis complicações).  Temos protocolos de indicação de cesarianas. As pacientes de baixo risco, sem indicações absolutas de cesáreas, pode a principio terem partos normais (tudo vai depender da sua evolução).

         Todo parto deve ser respeitado. Não só respeito a gestante, mas também do profissional que está assistindo. Deve haver uma relação de confiança. Mesmo que o médico seja do plantão seja desconhecido.  E entender que quem estará assistindo responderá legalmente por tudo. A boa relação médico/equipe e paciente ainda é a melhor forma de se humanizar um momento tão sublime.

         A gestante deve aproveitar o pré-natal para conhecer os tipos de parto, suas vantagens e desvantagens. Em relação à duração de parto, a cesárea dura em média 40 minutos, quando não se tem nenhuma intercorrência. E para uma cesárea ser adequada deverá ser no tempo certo para cada gestação. Já o parto normal pode se estender por horas, e o importante ressaltar é que começa a contar a partir do momento que se entra em trabalho de parto (momento ideal para se internar).

         Eu, como obstetra, digo que a melhor via de parto é aquela realizada com sucesso, e dentro de hospital.

Maravilhoso seria se todas as gestantes quisessem e tivessem parto normal. Mas temos que lembrar que as mulheres de hoje são diferentes das de antigamente, inclusive o aspecto físico.

         Só como curiosidade, na era industrial devido a imensa mortalidade materna e perinatal foi discutida a necessidade político-econômica de garantir exércitos e trabalhadores.  A cesárea /intervenção médica surgiu para diminuir essas taxas, fazendo com que os partos pudessem deixar de ser feitos em casa, entre mulheres, num momento íntimo delas, para serem realizados em hospitais, sob responsabilidade de médicos e enfermeiros, mudando o cenário, tornando algo mais público”.

Com a palavra, a recém-mãe:

“Sempre quis ser submetida ao parto cesárea. Antes mesmo de estar grávida, este era o meu desejo. Ao saber que seria mãe, passei a gestação toda imaginando como seria o dia da operação. Sim, este tipo de parto nada mais é que uma operação. Nós, mulheres, somos submetidas a um corte no abdômen que chega até o útero. São em torno de sete camadas, ou seja, um corte profundo.

Eu pesquisei muito antes de passar por este procedimento e desde sempre, soube que ficaria o tempo todo acordada, ou seja, consciente; anestesiada, ou seja, sem sentir dor; que sentiria um puxa-repuxa, afinal existe corte e movimentação para a retirada do bebê; possível coceira no nariz, enjoo ou tremedeira (tudo efeito da anestesia); ouviria os médicos e enfermeiros todos; sentiria um cheiro estranho de queimado (pelo uso do bisturi), e claro, saberia que seria rápido o processo para conhecer enfim o meu bebê.

Sabia também que carregaria para a vida a marca de um corte na virilha. Sabia também que teria que usar as tais cintas, para facilitar a recuperação. Tinha a ideia exata que o pós-parto não seria algo nada fácil, afinal teria um corte cicatrizando, enquanto precisaria virar a chave e entender que a partir daquele momento me tornei MÃE! Confiei em minha fé, depositei total confiança na equipe médica e em 03 de julho de 2017, dois dias antes do previsto, com 1 dedo de dilatação, lá fui eu encaminhada para o parto.

Se estava tranquila até aquele dia, fui tomada por um misto de felicidade, medo, insegurança, ansiedade que me fez chorar e muito! Chegou o grande dia! Fui internada às 16h30 e 18h43 conheci o resultado do amor entre mim e meu marido: nosso filho Otávio, pesando 3.575kg e medindo 48cm, com saúde perfeita e uma garganta forte, pois chorou pra valer!

Agora fica a pergunta: se senti tudo o que já sabia que poderia sentir? Sim, além de uma dor forte de estômago enquanto meu corte era costurado. Fome? Muita, afinal tive que ficar praticamente o dia todo em jejum e isso foi algo bem difícil pra mim (ainda mais como gestante, sempre tão faminta!). A outra pergunta seria: passaria por tudo outra vez? Com certeza! Tive meu filho em segurança, sem sofrimento para ele e pra mim; o pós-operatório foi tirado de letra; o inchaço saiu poucos dias após e a cicatriz é imperceptível.

Não me arrependo de todo este processo e não me sinto ‘menos mulher’ por não ter feito o parto normal. Muitas são as teses de que quem escolhe a cesárea não seria uma pessoa corajosa. Ser submetida a tudo o que falei linhas acima é não ter coragem? Acredito que quem diz tal asneira, realmente não sabe do que se trata a tal cesárea”.

 

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Sarah Vasconcellos
Jornalista há mais de dez anos, tem na escrita uma de suas grandes paixões. Com os relatos pessoais de sua coluna, espera encontrar uma proximidade com o leitor, tornando cada experiência vivida, uma maneira prazerosa de traduzir em palavras momentos de pura emoção, durante essa aventura chamada gestação.
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